Ecos do Tempo é um espaço onde a História ganha voz e ressoa no presente. Cada texto é uma viagem por conquistas, conflitos, saberes e silêncios que moldaram o mundo e ainda ecoam em nós. Inspirado na visão de Molefi Kete Asante — para quem o tempo “vive no presente como herança e acção” — este blogue é um convite a pensar o tempo não como algo que passou, mas como algo que vive em nós.
segunda-feira, 15 de setembro de 2025
domingo, 7 de setembro de 2025
DEPOIMENTO DE UM REPRODUTOR DE ESCRAVIZADOS
João António Guaraciaba
nasceu no dia 20 de setembro de 1850. Preto, alto, forte, viveu grande parte de
sua vida em Magé, Estado do Rio de Janeiro, onde morreu velho, enrugado e de
carapinha branca com seus bem vividos 126 anos. Gostava de andar, mas seus
passos ficaram lentos denunciando o peso da idade, o reumatismo e as “oito
picadas de cobras que levou na perna direita, de tanto viver nos matos”, apesar
de “lúcido e ainda enxergando bem para longe e sem sofrer de surdez”. Filho de
mãe angolana que o teve aos quinze anos, e o Barão de Guaraciaba “um mestiço
fazendeiro comprador de escravos negros na África onde conheceu sua mãe
Angelina, então negra forte e bonita”. Depois de engravidá-la, prometeu
buscá-los em outra viagem, trazendo-os assim para o Brasil num veleiro negreiro.
João tinha apenas quatro anos de idade. Registrado em Magé, onde “tirou
certidão com testemunha e tudo”, como filho do barão e Angelina Maria Rita da
Conceição (nome cristão).
Quando foi para Mauá, então Guia
de Pacobaíba freguesia de Magé, João tinha 17 anos, levado pela mão de Irineu
Evangelista de Souza, o Barão de Mauá “para procriar raça de crioulo escravo
para o Imperador, que conheceu aquele preto forte na fazenda do Barão de
Guaraciaba, onde passou uns tempos e pensou até que ele fosse escravo. Chegou a
querer comprá-lo, mas o pai disse que não vendia, porque João era seu filho”. E
apesar de não ter sido escravo, “trabalhou no porto onde os barcos veleiros
atracavam”.
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